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MISTÉRIOS DA MADRUGADA Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Terror
Escrito por: PMCV
PMCV

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Dom, 07 de Março de 2010 16:23

1

O automóvel entra na rua sem movimento de veículos ou pedestres.

- Será que a rua é essa mesma?

Indaga-se baixinho o homem “maduro” que o dirige. Avança. A residência é a quinta à direita. Sim, a rua é mesmo essa e a casa é aquela ali.

Avizinha-se, diminuindo a marcha. E perplexo vê a falta de cuidado com a construção, de muro baixo, o jardim mal cuidado, o terraço gradeado. A janela ao lado também fechada. As paredes manchadas pelo decorrer do tempo. Até o portãozinho ao centro do murro, com a pintura descascada...

Salta. E fica parado à calçada. A perplexidade dominando-o. Está vivendo um pesadelo?

O senhor da casa conjugada surge, vindo do interior dessa e, fita-o, debruçado sobre o murinho. Os olhos seguindo-o, numa interrogação. Então, se voltando, inquire ao idoso:

- Faz tempo que está casa está desocupada?

O outro sorri:

- Há uns quatro anos, moço.

- Mas...

- A jovem, uma linda morena, que morava aí faleceu.

Ante a revelação, sem se conter torna a indagar, a voz gritada:

- Faleceu?

- Pois é, faleceu. E, até o presente, ninguém apareceu para alugar ou mesmo vender essa casa, que está se acabando...

Terá se enganado? Não, a casa é essa. A rua é essa... Então, prático, despede-se:

- Tudo bem. Obrigado pela informação.

- Não há de quê, moço.

Ele entra no carro e o idoso permanece no murinho, seguindo-o com a vista, na curiosidade da indisfarçável censura.

Devagar o carro deixa a rua. Já então a noite se anuncia através das luzes acesas dos postes e das residências. Dirige. Pensativo. Sem saber explicar o que presenciou e vive.

- Você quer ficar onde?

Sorrindo, a bela morena com o rosto voltado ao que o carro ia deixando para trás na madrugada, lhe respondeu:

- Me deixe na segunda rua, à esquerda.

- Certo.

Adentrou na rua com um ou outro pedestre nas calçadas e estacionou.

- Fico aqui.

Abriu a porta e, voltando-se, ela indagou:

- Quer saltar um pouquinho?

- Não, não. Tenho de trabalhar logo mais. De outra vez...

O sorriso de covinhas nas faces morenas à luz do poste próximo e viu-a abrir o portãozinho, cruzar o jardim, abrir o gradil do terraço, entrar e abrindo a porta ao lado, desaparecer na sala conjugada.

Ligou o carro e partiu, se prometendo que a visitaria, quando a saudade lhe apertasse... E as cenas no leito do motel se lhe desenharam, como num filme erótico.

- A menina é muito quente!

Sorrindo, distanciava-se, enquanto a madrugada envelhecia ao encontro do novo dia.

Conhecera a morena no Clube “Azul e Branco”. Tirara-a para dançar e, logo, bebendo, conversando, se entenderam.

- Aqui perto tem um motel muito bom.

- Ótimo. Vamos sair agora?

- Vamos.

Paga a despesa, no carro seguiram para o motel à beira-mar. E as cenas. O amor louco de ambos... Depois se indagou: por que ela não ligara, não lhe passara o número do celular? O mistério. E o desejo repentino de retroceder a casa na qual deixara a bonita criatura.

- Estarei sonhando?

Mais uma vez indaga-se. Mas... Por que a estranha sensação de estar sendo seguido? Precisa mesmo de umas férias, deve estar estressado, imaginando coisas.

O automóvel ganha o viaduto deserto. Então acontece: surge no vidro dianteiro do veículo a forma... Do gigantesco vampiro, que abre as longas asas, batendo-as uma de encontro à outra e abrindo a boca, exibe os caninos crescidos, pontiagudos. Os olhinhos cintilam penetrantes, cruéis. E o enorme morcego investe contra o vidro, forçando-o, na intenção de entrar.

Sem controle emocional, o homem não consegue comandar o carro e indo de encontro à murada lateral, despenca, no salto que o conduz à avenida embaixo.

Ante a abertura do vidro que se espatifa, o morcego investe contra o motorista desfalecido sobre a direção do veículo.

As longas asas envolvem o corpo e os caninos se cravam no pescoço, sugando o sangue...

Aos poucos, o corpo vai se aquietando.

 

2

- Tenente o que o senhor acha desse caso?

O negro agigantado então sem desviar a atenção do corpo, entre a direção e o banco do veículo, responde:

- O elemento está morto e, com essa cor... Sem sangue, como se tivesse sido atacado por uma fera!

O soldado auxiliar concorda, também fitando o cadáver:

- Veja o senhor aí de lado do pescoço, os furinhos paralelos...

Silenciam intrigados com o mistério da morte ocorrida ma madrugada.

Por trás do edifício alto, imponente à esquerda, o sol cintila no céu azul da nova manhã.

Mas... Será possível? Indaga-se o tenente. Escuta mesmo o som de asas se batendo? E seus olhos perscrutam, à procura da temível confirmação.

- O senhor está ouvindo também tenente?

- Sim, sim.

Perplexos emudecem, enquanto suas mãos nervosas buscam as armas na cintura.

O som se destaca mais, vindo.



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MISTÉRIOS DA MADRUGADA
Dom, 07 de Março de 2010

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Última atualização em Ter, 09 de Março de 2010 15:04
 
Comentários (10)
  • LucasMelo
    avatar
    Bom gostei da historia. A parte que eu achei melhor foi a da casa meio abandonada... :D
  • PMCV
    avatar
    tania, Obrigado colega! Abraço carinhoso. Paulo.
  • PMCV
    avatar
    LucasMelo, Agradeço-lhe as palavras ao meu texto e concordo com você, num texto, sempre há uma cena que nos agrada mais. Abraço fraternal. Paulo.
  • Kokranne
    avatar
    Parabéns...gostei! Estrelei.
  • joserds2002
    parabéns...muito bom!
  • Cerson
    avatar
    Escrever contos exige que o autor seja inventivo, criativo e, claro, não cansativo. Você consegue com leveza essas exigências e trazer ao leitor uma leitura satisfativa. É um aprendizado ler seus contos. Parabéns, abraços.
  • PMCV
    avatar
    Kokranne, Você é uma criatura previlegiada pela vida: além de bonita (quisera toda estrela da tv ou cinema ter esse rosto)é também inteligente e... fraternal colega! Abraço carinhoso. Paulo.
  • PMCV
    avatar
    joserds, Obrigado bom poeta, escritor e amigo! Abraços. Paulo.
  • PMCV
    avatar
    Cerson, Mais uma vez lhe agradeço as palavras incentivadoras ao que escrevo. É mesmo como se diz: o escritor sem a análise construtiva do leitor inteligente vai parando, parando... portanto, Obrigado! Abraço. Paulo.
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